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MULTIPLICIDADES

Foi com a descoberta da película que começou a minha paixão por Cinema. Enquanto realizador, fascinava-me a nostalgia daquelas imagens, a natureza aleatória do grão… Por isso, naturalmente, quando descobri a fotografia analógica, fui completamente seduzido pela adrenalina do desconhecido - a sensação de que cada fotograma era precioso, fundamental e solene.  Atraía-me a forma como todo o processo se prolonga: a pesquisa, a preparação, a composição… Mas quando finalmente se abre a cortina do obturador, a tensão é substituída pela antecipação de revelar os negativos e descobrir os resultados.

 

O interesse pelas exposições múltiplas surgiu pouco depois, de uma forma quase inevitável. A ideia de sujeitar o mesmo pedaço de película a várias composições abria um mundo de possibilidades e justaposições, mas requeria também bastante planeamento e determinação. Qualquer erro era irremediável, pois só era detectado semanas depois do momento da captura.

 

Para além da própria técnica - que implica a sobreposição de duas ou mais composições - o conceito de justaposição aplica-se também ao objecto destas fotografias.  As linhas rectas confrontam as curvas;  as nuvens desafiam os cimentos;  as matérias orgânicas insurgem-se contra o urbanismo. O resultado é um caleidoscópio de substâncias e texturas sobrepostas, que se balançam num equilíbrio rigoroso mas imperfeito.

Exposições

  • Galeria São Mamede | Lisboa | Dezembro 2022

  • Galeria Artur Bual | Amadora | Março 2023

  • Galeria Municipal do Montijo | Julho 2023

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